quarta-feira, 4 de julho de 2012

Paixão inesperável

Num primeiro encontro
Cruzam-se olhares
Há um encantamento imediato
Que se vai notando ao passar dos dias

São ambos comprometidos
Mas o seu coração não se prende a tal
Desvia a atenção do olhar para o lado
Onde está o outro também enamorado

Ambos discutem, brincam, refilam
Passam os dias a guerrilhar um com o outro
Ela diz às amigas que ele não passa de um anormal
Ele diz aos amigos que ela uma rapariga banal

No fundo só querem desculpas
Para falar um do outro,
Para estar um com o outro

Não querem admitir o que sentem
Não querem abandonar a sua vida estável
Por uma paixão inesperável

Já todos sabem o que se passa
Naqueles corações encurralados
Por mais que disfarcem
Não conseguem esconder
O quanto estão apaixonados

Pouco a pouco vão-se aproximando
Não dá mais para esconder
Aquele desejo,
Aquele sede,
Aquela fome,
Aquela ânsia
De se terem,
De se sentirem,
De se tocarem,
De se beijarem

Não há mais tempo a perder
Põem um fim aos antigos relacionamentos
Não há mais nada a fazer
É a hora de viver o momento

Dar todo amor que ficou guardado
Durante aquele tempo de tentação
Chegou a hora de soltar a paixão
Esquecer tudo o resto
Entregarem-se um ao outro
Com toda a emoção,
Com toda a ilusão
De um amor recente,
De uma paixão ardente

Marisa V

terça-feira, 3 de julho de 2012

Expressão no Papel...



Poesia sempre diz,
A verdade que mora no escuro,
Que por vezes quero fugir, do que ela diz,
Mas não consigo,
Encontrar outra saída no escuro,
Senão a porta do coração…

Poesia é escrita a dedos,
Dita pela fala,
Sentida pelo coração,
Em que há dias, que não quero escrever a razão
Mas não consigo,
Tenho poder sobre o lápis,
Mas não tenho poder, sobre a mente,
Que comanda a mão,
Que age com razão,
Conduzindo o lápis,
Aos sentimentos envolvidos
No nosso coração...

Poesia não se define,
Cada um sabe seu significado,
Basta sentir casa som,
De cada palavra,
Apreciar cada mensagem em cada verso,
Amar cada estrofe que se escreve,
Escrever sempre de coração aberto,
Deixando que os sentimentos,
Escorram para o lápis,
Deixando marcas da sua passagem no papel,
Que antigamente estava branco,
Hoje marcado pela mancha da pessoa que a escreveu,
Poesia...

Poesia não é só escrever estrofes,
É sentir cada palavra,
No coração de quem a escreve,
É sentir as lágrimas dançando,
No rosto de quem a escreve,
É sentir os lábios a sorrir,
No rosto de quem está alegre de a escrever...

Poesia é expressão no papel,
No papel móvel e estático,
Que dança, no escuro,
Não vês, movimentos do papel,
O escuro não permite que o vejas,
O escuro em que ele sempre dança,
O escuro que habita suas palavras,
O CORAÇÃO!

Susana V

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Troféu final


Nunca se pode dizer que tudo está bem
Porque até quando o dia tem tudo para ser perfeito
Quando as coisas estão a deslisar na perfeição
Pode surgir uma falha no caminho
Que nos faça tropeçar

Numa queda dolorosa
Em que vemos o que conquistamos a pouco e pouco
Ruir de repente sem mais nem porquês
Simplesmente cai a pique
Num buraco fundo e frio
Que se abre ímpeto numa pista de gelo
Fazendo-nos desistir até nos virem salvar
Para depois voltarmos à luta pela conquista do troféu final
Desde o doloroso começo

Começamos a patinar bem devagar
Porque sabemos que é perigoso
E temos noção da frágil camada de gelo
Que separa a nossa liberdade de deslizar
Da água gelada que nos prende e inibe
Qualquer movimento

Mas à medida que nos vamos habituando,
Vamos ignorando o perigo
E de repente já estamos tão ambientados
Que já nem nos lembramos do gelo fatal

Deslizamos, rodopiamos, saltamos
Para conquistar a melhor pontuação
Nem pensamos que basta um simples deslize
Para que o final seja o pior

Só queremos ganhar
E acabamos por esquecer o melhor
Esquecemos o mais importante
Que a vida não é um jogo feito só para ganhar
Mas sim um jogo onde nos possamos divertir
Sem pensar no que virá depois

Devemos dar valor ao que temos
E aproveitar cada momento
Mas sempre com a noção que a felicidade não é inquebrável,
Que vivemos numa pista de gelo facilmente quebrável

E nós…
Nós somos apenas uns patinadores
Conduzidos pela nossa experiência de patinar
Limitados pela fragilidade do destino gelado

Por isso devemos aproveitar
O momento em que estamos no auge
Numa pirueta vitoriosa
Sentir a felicidade gloriosa
Esse sim é o melhor troféu
Apenas sorrir e sentir o céu

Marisa V

sábado, 30 de junho de 2012

Magia da Escrita...

Escrevo o que sinto,
Nas folhas brancos que pinto,
Escrevo o que não digo,
Nas folhas que decoro contigo…

Escrevo sem pensar,
No que irie escrever,
Escrevo sem regras,
Que contigo quero escrever…

Escrevo como forma de desabafo,
Do meu coração,
Que não aguenta com tudo sozinho,
Escrevo com emoção,
Deixando por vezes,
Cair lagrimas no chão…

Escrevo por opção,
Não por obrigação,
Escrevo por que necessito,
De deixar marcado o que é preciso,
O que é necessário, para ser recordado…

Escrevo para aliviar minha alma,
Que está cheia de alegria,
E que tem de partilhar,
Que esta cheia de tristeza,
E que tem de desabafar…

Escrevo sonhos,
Idealizo histórias,
Escrevo pensamentos
Descrevo momentos,
Escrevo contigo, lápis,
O que mais admiro nesta curta vida…

Escrevo passagens da minha vida,
Entrego-me de corpo e alma,
Ao papel, que é minha vida,
Entrego-me a algo, que me aclama,
A escrita…

Escrevo o que sinto,
Escrevo para mim,
Não escrevo para ser percebida,
Nem para sentirem o que sinto,
Só a mim, me diz respeito,
A dor sentida,
A vocês, leiam,
E fiquem com a dor lida…

Escrevo no meu mar de palavras,
No mar que gosto de viver,
Escrevo e sei que ninguém as vai sentir, como eu,
Nem perceber seu significado,
Mas não importa,
O mar, que é grande,
Também ninguém percebe sua magia…

Susana V

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quarto secreto


Hoje não me sinto inspirada
Aliás, sinto-me particularmente desmotivava
Talvez seja o culminar do cansaço
Dos últimos dias,
Da monotonia frustrante dos últimos meses,
Ou melhor dizendo, do último ano

Estou farta da mesma rotina
Da mesma vida que nem vida parece
Quero dar o salto,
Quero viver,
Quero voar

Mas tenho um íman ao chão que piso
Que me não deixa ser quem quero
Que não me deixa voar até onde quero

E o que é que eu quero? Nem sei
Já não sei nada,
Não sei sorrir,
Não sei chorar
Só sei ficar

Sinto-me presa ao nada
No nada que tem sido os meus dias
Sinto uma claustrofobia de um presente sem futuro
Fechado entre quatro paredes
Bem apertadas e escuras
Que não me deixa respirar,
Que não me deixa pensar

Ligo então a música no máximo,
Ponho uns auriculares para ninguém me incomodar
É um escape ao mundo,
O que me mantém de pé e faz continuar

Faço da música o meu quarto secreto,
Um mundo de sonhos
Cheio de palavras que preciso de ouvir
Repleto de pensamentos que não ouso dizer
Trazendo à tona da margem da saudade salgada
Um sem número de recordações
Que me fazem viajar

Perco-me por entre letras e melodias
Encontro de novo o meu sorriso
Vou dançando num jogo mental
Insaciável nesta vontade de mudança
Já não quero voltar ao mundo real

Quero preservar este instante
Quero viver a minha dança
Do alto do meu pedestal
A minha música, o meu dançar
Este mundo já não vou deixar

Marisa V

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Anjo

Anjo guardião que me abraças
Nunca te esquecerei pelos
Gestos bondosos, pelos sorrisos carinhosos
És pureza nessa tua maneira de ser
Lindo por dentro e por fora nesse teu viver
Inimitável, incomparável essa força, essa arte
Cantaste, dançaste, encantaste
Onde estavas havia alegria, havia festa, havia magia

Viveste uma vida cheia
Intensamente a cada segundo
Entre trabalho, lazer, família, amigos, fãs
Indiferente a diferenças , encheste-nos de doces
Recordações, bons momentos, palavras especiais, ensinaste-nos a
Acreditar, ensinaste-nos a viver.

Marisa V

Os meus Avozinhos…

Recuando no tempo,
Um tempo perdido,
Mas nunca esquecido,
Tudo tinha começado,
Com o dia que marcou este tempo,
O tempo de convívio,
Alegria e diversão,
O tempo que a todos alegra seu coração…

Tudo começou,
Com um amontoado de pessoas estranhas,
Com imensas instituições unidas,
Que para mim eram todas desconhecidas…

Foi um começo de uma nova vida,
Foi um cartão de Boas-Vindas,
Ao inicio da minha melhor experiência de vida,
A vida partilhada com outras vidas…

Hoje passando alguns aninhos,
Voltei ao sitio que começou a minha nova vida,
Com quem mais amo e admiro,
Os meus avozinhos,
Que decoram minha vida…

Hoje partilhei os mesmos momentos,
Que á alguns anos,
Dançei, comi, festejei, convivi,
Mas foi totalmente diferente,
Não eram os meus avozinhos de alguns anos,
Eram os meus avozinhos de alguns meses,
Não estava com a minha instituição de alguns anos,
Estava com a instituição de alguns meses…

Estava num canto,
Rodeada de pessoas, hoje não estranhas,
Cercada de instituições, hoje conhecidas,
Estava eu num canto, com os meus avozinhos de alguns meses,
Estava noutro canto, os meus avozinhos de alguns anos…

Foi um sentimento estranho,
Sem explicação,
Queria estar com os meus avozinhos,
Com quem inicie a minha nova vida,
A vida partilhada com pessoas crescidas,
Os meus avozinhos, os meus meninos,
Que estão sempre comigo,
No meu coração…

Foi um sentimento de saudade,
Estavam a uns pés descalços,
De eu os poder alcançar,
Mas só estive uns minutos,
Que para mim foram preciosos,
Mas não os que eu desejada,
Pois o que eu queria,
Era a eternidade de minutos,
Poder partilhar mais momentos,
Mais sentimentos mútuos,
Mas agora só de visita…

Saudade via-se no meu olhar,
Cada vez que os meus olhos os alcançavam,
Saudade via-se na minha face,
Cada vez que a minha face, procurava um beijo,
Saudade via-se nos meus braços,
Cada vez que os meus braços, procuravam um abraço…

Saudade é a voz do coração,
Gritando para onde ele quer voltar…

Susana V

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Acredito...

Acredito que não nasci por acaso,
Que neste mundo, onde vim parar,
Tenho alguma missão,
Pela qual tenho de lutar…

Acredito que o que não possuiu hoje,
Não possuiu por acaso,
Não possuiu pelo que tanto luto,
Porque talvez tenha de possuir outras coisas,
Até conquistar o que tanto luto,
Não possui, não por não lutar,
Não possui, por alguma razão,
Que é mais forte que o meu coração…

Acredito que não me fecham portas, por acaso,
Talvez essa porta não seja aberta,
Pela chave que tenho comigo,
A chave do destino,
Que me levará ao caminho correcto,
Ao que não é por acaso…

Acredito que não vivo em vão,
Que neste mundo onde poucos tem compaixão,
Amor e compreensão,
Eu vivo com o meu coração,
Aberto para a canção,
A canção da vida,
Que é formada de pessoas,
A quem eu dou meu coração,
A quem lhe cedo minha mão,
Percebendo assim, que a vida não passa em vão,
Nos olhos de quem levo no coração…

Acredito em mim,
Nas minhas missões,
Ainda por descobrir,
Na minha chave do destino,
Que abrirá a porta certa,
Acredito na vida,
Que encarregar-se-á de colocar no meu caminho,
O que preciso de viver,
Onde preciso de estar,
Com quem preciso de ficar…

Acredito que o aconteçe,
Não é por acaso,
Acredito que a vida, sabe o que esta a fazer...

Acredito,
Que não vim ao mundo,
Só para viver…

Susana V

terça-feira, 26 de junho de 2012

Deserto da saudade

Numa passagem pelas origens
Estranho o que já conheci tão bem,
Os lugares estão iguais
Mas já não são os mesmos,
Sinto um vazio no meio da confusão

Talvez porque hoje estou sozinha
Falta-me as pessoas
Com quem os partilhei,
Estão espalhadas por aqui e por ali
Longe da vista minha,
Bem juntas ao meu coração

Sinto também a falta da rotina,
Daquela que à primeira vista cansa
Mas que está recheada de pequenas peripécias
Que encanta

Hoje estou só de passagem
Nem percorro todos os lugares
Falta-me o mais importante,
O que me fez quem sou,
A minha eterna segunda casa
Que já foi quase a que primeira

Paro um segundo
Durante esta minha viagem
Olho para o fundo
Onde sei que está
O meu porto de abrigo algures

Recordo momentos, amizades
É como se os tivesse a ver
Mas não passam de uma miragem
Um oásis no meio do deserto da saudade
Provocado pela sede dos reviver

Marisa V

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sonhos de magia

Fui-me sentar na lua
Só para te ver dormir,
Via-te ao longe
Sem te poder tocar
Mas não te podendo ter
Engano esta minha fome de ti
Ficando apenas a te observar

Não me vou enganar
Dizendo que não queria aí estar,
És tu quem eu quero
Não há como negar

E no meio do desespero
De não te poder sentir,
No meio da saudade
Por ver e não te ter
Deixo cair uma lágrima
E sem me controlar
As minhas lágrimas salgadas
Tornam-se na chuva fria da noite

Deixo então a lua, num salto
Me sento numa gota do meu choro
Molhada pela chuva gelada
Seca pela dor da amargura

Meu alento vai despertando
Com o cair da chuva triste
Chego ao teu quarto já a sorrir
Onde estás deitado ainda a dormir

Tento aproximar-me para te acordar
Mas a felicidade de te ter
Ilumina-me o rosto
Fazendo o nascer do sol surgir,
Caindo a realidade da madrugada
Em que acordo ainda na fantasia
De ser tua ao nascer do dia

Mas quando abro os olhos
Caio na real
De um despertar fatal
Percebo que te perdi no dia
Em que o destino te levou,
Encontro-te a cada noite
Nos sonhos feitos de magia,
Na esperança de te reencontrar
Que deste sonho nunca me acordou.

Marisa V