quarta-feira, 11 de julho de 2012

Motor do Pensamento...

O vento que paira no ar,
Dá asas ao meu cabelo,
Que não pára de voar,
Dá agitação à minha mente,
Que não pára de pensar…

Supras suavemente,
Ao meu ouvido,
Cada sopro teu,
É cada pensamento meu,
Cada angustia,
Cada alegria,
Bate forte,
Não na minha face rosada,
Queimada pela sol,
Bate forte,
No meu quentinho do coração…

O teu supro era a velocidade da minha mente,
Sopravas baixinho, que parecias um bebé a dormir,
E eu pensava lentamente, como uma tartaruga,
Sopravas ferozmente, que parecias um homem a lutar a fingir,
E eu pensava ferozmente, como uma pulga...

Eras o meu motor,
Que me levavas ao confessionário,
Com o teu supro suave,
Levavas-me à beira das águas calmas,
Águas que pairam no horizonte,
As águas da minha vida,
Ás águas do mar,
Que são o meu confessionário…

Pensava em tudo e em nada,
Pensava no nada que era ontem,
No tudo que é hoje..

Pensava no tempo, 
O tempo que voou,
Num sopro de vento,
Que em tão pouco tempo,
Tanta coisa mudou, 
Muitas deixou,
Tão pouco tempo,
Mas muito marcou,
No areal da minha vida, 
Coração…

Susana V

terça-feira, 10 de julho de 2012

Telepatia do amor


Nunca pensei que fosse possível
Encontrar alguém assim como tu,
Alguém que pensasse como eu

Lembro de olhar para ti
E pensar quem está por de trás
Daquele rapaz extravagante,

A pouco e pouco começamos a falar,
Trocamos opiniões,
Fomos nos conhecendo

Rapidamente percebi,
E tu percebeste também,
Que já não precisávamos de falar
Só é preciso trocar uns olhares,
Deixar o silêncio falar
Que os nossos pensamentos são iguais

Não importa a ocasião,
Não importa as temáticas
Desde as conversas mais ocasionais
Aos temas mais sérios
Acabamos sempre por acordar
Sem precisar de grandes discussões

Estamos sempre em sintonia
Apesar da diferença de personalidade
Para os outros tão notável,
Mas que para nós
Acaba por ser nada mais que banal

O tal rapaz mistério foi desaparecendo
À medida que te fui conhecendo
Descobri um novo ser
Por de trás do rapaz extravagante
Deu lugar ao rapaz carinhoso
De sorriso fascinante,
De olhar penetrante
Por quem me apaixonei

Levada pela magia da telepatia do amor,
Que me cativou e me roubou a alma
Como que num filme romântico
A que assisto passiva, calma
É a história encantada
Que me deixou enamorada
Por este amor semântico

Marisa V 

O que somos!?

Somos turistas,
Desta curta viagem,
Curta e cheia de obstáculos,
Somos turistas que passeamos,
Que lutamos por ver novos horizontes,
Que trabalhamos conquistando novas fontes,
Somos turistas sim!
Da viagem mais curta,
Que é a vida…

Somos artistas,
Desta tela,
Hoje colorida,
Amanhã cinzenta,
Somos artistas,
Tentando desenhar o melhor possível,
Na tela, que é a vida…

Somos peças de um puzzle,
Que aos poucos, vamos-nos juntando,
A outras peças, a outros bocadinhos de gente,
Que todos juntos, formamos um puzzle,
Somos um puzzle,
Alguém nos pega ao colo,
E coloca no nosso devido lugar,
O destino…
É ele que nos coloca nos sítios onde devemos ficar,
É ele que coloca com as gentes que devemos viver,
É ele que nos coloca junto, das peças que devemos criar união…

Somos pessoas capacitadas,
Possuidoras de saberes,
Conhecimentos e valores,
Apresentamos-mos com qualidades e defeitos,
Nesta curta viagem,
Nesta tela,
Neste puzzle,
Na vida...

Porém ás vezes podemos ter muitos conhecimentos,
Saber mil e uma coisas,
Ter imensos livros de temas científicos,
Possuir mas que mil e uma vonatde de ajudar,
Mas nada dos conhecimentos,
Nada dos saberes,
Nada dos livros,
Ajudam quando mais precisamos,
Quando vemos alguém,
A terminar a sua viagem,
Na qual foi turista, juntamente connosco,
Que pintamos a tela colorida,
Hoje cinzenta…

Somos inúteis,
Aos olhos do destino,
Podemos fazer mil e um trajetos,
Mas é ele o condutor,
Podemos correr mil e um caminhos,
Mas só ele sabe a nossa meta...

Susana V

domingo, 8 de julho de 2012

Ímpar unido

Entro em casa sozinha
Acompanhada de doces recordações
Olho em volta e tento-te encontrar
Mesmo sabendo que não vais lá estar

Largo as minhas coisas
Para ficar mais leve
Como que a tirar o peso que carrego
Desde aquela tua partida
Já planeada mas não esperada

Subo as escadas meio a arrastar
O passo que não quer voltar
Àquele que foi o nosso ninho de amor
Onde me aqueceste com o teu calor
Durante curtas horas,
Pequenos momentos intensos, intermináveis
De escassos dias
Vividos numa fantasia

Chego ao quarto cansada
De carregar todo este fardo
De querer e não ter,
De querer saber e não saber
O que tudo aquilo significou para ti,
Conseguir explicar o que eu senti

Deito-me na cama
Agora tao grande, tão vazia
Sem a tua presença,
Sem o teu corpo unido ao meu
Juntos num só ser
Pelas carícias,
Pelos beijos,
Pelos sorrisos,
Pelos olhares,
Pelas palavras,
Pelos silêncios
Pormenores que não consigo esquecer

Levanto-me, abro a janela,
Preciso de apanhar ar
Sinto-me a sufocar
No meio de tantas memórias
De tão pouco tempo

Vou para a varanda
De onde posso ver o mar
Que tanto me ajuda a acalmar

Parece que estou a viver
Num sonho tumultuoso
De onde não há hora de acordar

Preciso de ti aqui,
Preciso que me acordes,
Preciso de te sentir,
De te tocar,
De te cheirar…

Oiço-te!
Sim, também preciso de te ouvir

Ai, parece tão real este sonho,
Essa tua voz a chamar-me,
A dizer-me para te seguir,
Para te abrir a porta do meu coração

Não!
Não é um sonho
É mesmo realidade
Tu voltaste e agora chamas-me

Não estás só no meu pensamento,
Estás a minha porta a gritar por mim,
Voltaste para me acordar
Voltaste por ti, para mim, para nós

Queres voltar a acender a chama
Intensa que ardeu tanto e tão rápido,
Queres soltar uma labareda sem fim,
Queres apoderar-te de mim,
Ser a minha melhor metade,
Sermos um ímpar unido
Neste mundo de pares repartidos

Marisa V 

sábado, 7 de julho de 2012

Ler com o coração


Sigo desatenta no meio de livros, pessoas
Sem me preocupar com o que está a volta
Quais os livros,
Quais as suas histórias,
Quais as vidas que me rodeiam

Quando de repente
Como que por magia
Olho para o lado de repente
E deparo-me com algo
Que me desperta mesmo à minha frente

Não sei o que me desperta em si
Se a sua imagem,
Se o seu nome,
Se… se… se…

Era como se me chamasse,
Como se o tivesse que o ler,
Como se tivesse que conhecer
O que tinha ele para me contar

Peguei nele e não resisti
Tive que o trazer comigo,
Tive que o descobrir

Sentada sozinha
Percorro a sua capa
Envolta no seu mistério

Começo a ler
Às primeiras palavras,
Aos primeiros capítulos
Sinto a emoção a apoderar-se de mim

Já não dá para parar
É uma ânsia de saber o que virá,
Que novas emoções esta história me trará

Vivo cada palavra
Com a intensidade de uma vida,
Sinto cada personagem
Como se fosse eu

Envolvo-me nas peripécias,
Nas visões,
Nas vidas,
Nos sonhos
De cada uma delas

É como se morasse dentro do livro
Perco-me e encontro-me
Por entre letras, palavras
Esqueço a realidade monótona
Entrego-me à ilusão
De quem lê com o coração

Marisa V

Outro mundo…

Vivemos na realidade,
Sonhando com a fantasia,
A que nos conduz à felicidade,
À eterna alegria…

Fantasia quer-se num amanhã,
Que nunca existirá,
Fantasia quer-se num novo mundo,
Que nunca se alcançará…

A fantasia leva-te ao mundo das bonecas,
Ao mundo em que tudo é bonito,
Ao mundo em que todo é bom.
Em que todas as bonecas,
São verdadeiras pessoas,
Em que o mundo é um verdadeiro mundo,
Para se viver…

No mundo da fantasia,
Tudo é mais fácil,
Tudo é possível,
Basta ter imaginação,
Fazer do impossível o possível,
Tornando o difícil no fácil,
Trazendo magia, à vida real…

Fantasia não é vida,
Fantasia é vida imaginária,
Não é vida, viva num corpo,
É vida viva, numa mente,
Aberta para a imaginação...

A fantasia não é vida,
Mas é essencial em cada vida,
É essencial que cada ser,
Consiga abrir suas portas à fantasia,
Consiga abrir janelas a um mundo desconhecido,
Mas muito explorado,
Que cada ser consiga,
Sonhar …

Fantasiar é necessário,
Sonhar é preciso,
Acreditar é essencial
Viver na realidade é fundamental…

Sonhamos acordados
Com a realidade adormecida…

Susana V

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Duas Artes…

Hoje sou um pincel,
Na mão de quem pinta,
Sou uma ferramenta fiel,
Que só pinta,
O que o pintor manda,
O coração…

Sou um pincel mágico
Que com meus cabelos,
Pinto o fantástico,
O belo que há, para lá dos belos,
Pinto o que amo,
Desenho o que o que chamo,
De belo,
Pinto o barro sem césar,
Pinto sabendo, que minha tinta nunca acabará,
Pinto por que sei, que o godés, é uma nascente,
O coração…

Mais tarde serei um lápis,
Que desenhará formas,
Que deixará seu carvão,
Como marca no papel,
Marcado pelas formas,
Que o lápis deixou..

Sou o senhor carvão,
Desenho sempre a razão,
Sou comandado por uma mão,
Sendo essa comandada pela razão,
Por sua vez a razão,
Comandada pelo motor do coração…

Sou pincel na arte plástica,
Sou lápis na arte poética,
Sou expressões que se aperfeiçoam,
A cada batimento do coração…

Sou duas artes,
Que caminham de mãos dadas,
Que juntam se expressam,
Cada uma à sua maneira,
Formam frases dadas,
Trabalhos fornecidos,
Pelo motor da arte,
O coração…

Arte plástica e arte poética,
São duas artes que se completam,
Ambas se constroem pelas mãos,
Cada uma, molda seu barro,
Mas no fim,
As duas são fruto,
Do que sente o coração…

Susana V

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Paixão inesperável

Num primeiro encontro
Cruzam-se olhares
Há um encantamento imediato
Que se vai notando ao passar dos dias

São ambos comprometidos
Mas o seu coração não se prende a tal
Desvia a atenção do olhar para o lado
Onde está o outro também enamorado

Ambos discutem, brincam, refilam
Passam os dias a guerrilhar um com o outro
Ela diz às amigas que ele não passa de um anormal
Ele diz aos amigos que ela uma rapariga banal

No fundo só querem desculpas
Para falar um do outro,
Para estar um com o outro

Não querem admitir o que sentem
Não querem abandonar a sua vida estável
Por uma paixão inesperável

Já todos sabem o que se passa
Naqueles corações encurralados
Por mais que disfarcem
Não conseguem esconder
O quanto estão apaixonados

Pouco a pouco vão-se aproximando
Não dá mais para esconder
Aquele desejo,
Aquele sede,
Aquela fome,
Aquela ânsia
De se terem,
De se sentirem,
De se tocarem,
De se beijarem

Não há mais tempo a perder
Põem um fim aos antigos relacionamentos
Não há mais nada a fazer
É a hora de viver o momento

Dar todo amor que ficou guardado
Durante aquele tempo de tentação
Chegou a hora de soltar a paixão
Esquecer tudo o resto
Entregarem-se um ao outro
Com toda a emoção,
Com toda a ilusão
De um amor recente,
De uma paixão ardente

Marisa V

terça-feira, 3 de julho de 2012

Expressão no Papel...



Poesia sempre diz,
A verdade que mora no escuro,
Que por vezes quero fugir, do que ela diz,
Mas não consigo,
Encontrar outra saída no escuro,
Senão a porta do coração…

Poesia é escrita a dedos,
Dita pela fala,
Sentida pelo coração,
Em que há dias, que não quero escrever a razão
Mas não consigo,
Tenho poder sobre o lápis,
Mas não tenho poder, sobre a mente,
Que comanda a mão,
Que age com razão,
Conduzindo o lápis,
Aos sentimentos envolvidos
No nosso coração...

Poesia não se define,
Cada um sabe seu significado,
Basta sentir casa som,
De cada palavra,
Apreciar cada mensagem em cada verso,
Amar cada estrofe que se escreve,
Escrever sempre de coração aberto,
Deixando que os sentimentos,
Escorram para o lápis,
Deixando marcas da sua passagem no papel,
Que antigamente estava branco,
Hoje marcado pela mancha da pessoa que a escreveu,
Poesia...

Poesia não é só escrever estrofes,
É sentir cada palavra,
No coração de quem a escreve,
É sentir as lágrimas dançando,
No rosto de quem a escreve,
É sentir os lábios a sorrir,
No rosto de quem está alegre de a escrever...

Poesia é expressão no papel,
No papel móvel e estático,
Que dança, no escuro,
Não vês, movimentos do papel,
O escuro não permite que o vejas,
O escuro em que ele sempre dança,
O escuro que habita suas palavras,
O CORAÇÃO!

Susana V

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Troféu final


Nunca se pode dizer que tudo está bem
Porque até quando o dia tem tudo para ser perfeito
Quando as coisas estão a deslisar na perfeição
Pode surgir uma falha no caminho
Que nos faça tropeçar

Numa queda dolorosa
Em que vemos o que conquistamos a pouco e pouco
Ruir de repente sem mais nem porquês
Simplesmente cai a pique
Num buraco fundo e frio
Que se abre ímpeto numa pista de gelo
Fazendo-nos desistir até nos virem salvar
Para depois voltarmos à luta pela conquista do troféu final
Desde o doloroso começo

Começamos a patinar bem devagar
Porque sabemos que é perigoso
E temos noção da frágil camada de gelo
Que separa a nossa liberdade de deslizar
Da água gelada que nos prende e inibe
Qualquer movimento

Mas à medida que nos vamos habituando,
Vamos ignorando o perigo
E de repente já estamos tão ambientados
Que já nem nos lembramos do gelo fatal

Deslizamos, rodopiamos, saltamos
Para conquistar a melhor pontuação
Nem pensamos que basta um simples deslize
Para que o final seja o pior

Só queremos ganhar
E acabamos por esquecer o melhor
Esquecemos o mais importante
Que a vida não é um jogo feito só para ganhar
Mas sim um jogo onde nos possamos divertir
Sem pensar no que virá depois

Devemos dar valor ao que temos
E aproveitar cada momento
Mas sempre com a noção que a felicidade não é inquebrável,
Que vivemos numa pista de gelo facilmente quebrável

E nós…
Nós somos apenas uns patinadores
Conduzidos pela nossa experiência de patinar
Limitados pela fragilidade do destino gelado

Por isso devemos aproveitar
O momento em que estamos no auge
Numa pirueta vitoriosa
Sentir a felicidade gloriosa
Esse sim é o melhor troféu
Apenas sorrir e sentir o céu

Marisa V