segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amigos de coração


O que é a familiaridade?
O que é a amizade?
O que é a afinidade?

Poderemos nós gostar
De alguém que nos pertença
Não de sangue
Mas de coração?

Claro que sim

Será que é só claro para mim?

A família sempre será considerada
Como o nosso porto seguro
Onde crescemos,
Os primeiros com quem convivemos

Mas será mesmo o nosso principal
Porto seguro, o nosso essencial?

Nem sempre
Também há os amigos,
“A família que escolhemos”
Como se costuma dizer

Há amigos com que crescemos também,
Com que aprendemos
E sem bem dar por isso no instante
Nos moldamos com e a eles
Criamos afinidades tais
Que com a rotina de os ter por perto
Não percebemos o que para nós significam
E só o conseguimos perceber
Numa ocasião mais distante
Quando o hábito já não é certo
Que esses amigos fazem parte de nós
Que com eles criámos laços
Invisíveis à vista comum,
Preenchendo espaços
Uniformizaram o nosso coração   

Há também aqueles amigos
Que aparecem nas nossas vidas
Sem que estejamos a contar
E com quem se cria uma ligação
Tao intensa
Que a vivemos de forma tal
Que por mais rápida que surja
Esta amizade radical
Nos prendemos a tais pessoas
Como que se as conhecêssemos
Desde sempre

Aos amigos especiais,
Estando ou não constantemente
Fisicamente presentes,
Não devemos banalizar
Devemos antes agradecer, glorificar
Esta dádiva de os ter
Este privilégio de lhes pertencer

Não se trata de família,
Não são apenas amigos,
São amigos de coração,
São a nossa melhor opção.

Marisa V

domingo, 15 de julho de 2012

Apenas vencer

Na vida pode-se ser muito forte,
Ter tudo controlado
Não se deixar abalar com grandes problemas,
Que possam surgir, 

Mas por mais fortes que sejamos, 
Todos temos os nossos pontos fracos
Que podemos conhecer bem,
Os que nos acompanham
Desde que nos conhecemos, 
Ou podem aparecer de um momento para o outro
Abanar a nossa vida de tal forma
Que nada faz sentido sem que ele se resolva
E, assim, se consiga ficar em paz
E voltar a sorrir

Para se seguir em frente
Com o queixo erguido
É preciso sair do passado 
Com este bem resolvido

Ai os problemas do passado,
Os fantasmas que nos assombram
E não nos deixam seguir em frente
Como nós queríamos,
Não nos deixam encarar o futuro
Como nós gostaríamos

Então o que fazer
Para o futuro não temer,
Quando o maior temor
É o passado mal resolvido

Não os podemos controlar,
Não os podemos contornar
Podemos apenas lutar,
Podemos apenas ultrapassá-los
Podemos apenas vencer

Marisa V

sábado, 14 de julho de 2012

Puro...

Sensível a tudo o que o rodeia,
Abre devarinho quando sente o despertar,
Algo o está a acordar,
Fecha rápidinho, quando um raio de sol,
O está a encadear,
Rodopia de um lado para o outro,
Quando algo o está a incomodar,
Fecha lentinho,
Até as pálpebras fechar…

Olhos,
Os sensíveis,
Os que abrem porta à cor,
Os que fecham a porta à escuridão,
Os que abrem a janela da lágrima,
Os que fecham a da solidão…

Olhos,
Que transluzem alegria,
Cada um brilha mais que o outro,
Os dois brilham,
Como dois diamantes,
Perdidos num areal de fantasia…

Olhos,
Olhos não metem,
Olhos não enganam,
Outros olhos,
Olhos não escudem,
Olham não enganam,
Eles são transparentes,
Eles são verdadeiros,
Olhos são puros…

Olho,
Tudo vê,
Olho,
É único,
Cada pare de olhos vê de uma forma especial,
A forma que os caracteriza,
É único,
Todos veem as mesmas coisas,
Mas cada olho,
Explora-as de uma forma especial,
A sua forma,
A sua personalidade,
De olhar e explorar a imagem que lhes é dada,
A que será mandada para um sitio especial,
O coração…

Olho lê,
Olho explora cada linha,
Cada pare se encarrega de ler,
Mandado suas leituras para o seu comando,
O cérebro...

Olho,
Lê poesia,
Prosa,
Teatro,
Musica,
Lê revista,
Lê jornal,
Olhos leem tudo,
Lêem as mesmas coisas,
Mas cada um leva um sentimento diferente,
Para o seu comando,
O cérebro,
Que encaminha para o seu patrão,
O coração…

Cada olho tem a sua visão
Que reflete no nosso coração

Susana V


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Autodescoberta


Escrevo afincadamente
Quase que por obrigação,
Não para com os outros
Mas para comigo mesma

É um escape à rotina,
Um exercício mental
Para não deixar cair a imaginação
E não me entregar à estagnação

Às vezes escrevo em jeito de desabafo,
Outras pela necessidade de criar
Mas em tudo o que faço
Ponho um toque de fantasia

Tem dias mesmo
Que só me apetece inventar
Histórias de amores perdidos
Em tempos esquecidos
Que tocam o coração,
Que apelam à paixão

Porque não há nada melhor
Que um amor inexplicável
Nesta vida guiada pelo destino implacável

Não sou uma romântica nata,
Não sou uma sensível por opção

Gosto de manter a distância,
Preservar a frieza
Para não mostrar o que vai no pensamento

Digam que sou antissocial,
Que não sou verdadeira
E sou uma falsa fenomenal

Falem, inventem, reclamem
Não me importa
Eu apenas não gosto de ser transparente,
De ter os meus truques e trunfos
Para usar a cada batalha que enfrento
Para prevenir desilusões a qualquer momento

Sim, também ser dócil
Também tenho sentimentos,
Apesar de não parecer,

Mas a verdade é que não sente
Não é capaz de escrever,
Não entende poesia
E a poesia é o meu porto de abrigo,
O meu alter-ego,
É onde me perco e (re)encontro

Digam agora que não sinto
Que não tenho verdade
Quando deposito toda a minha alma
Nas palavras que escrevo,
Nos versos que uno,
Nos poemas que crio

Entrego-me desnuda, transparente
Na minha arte
Porque arte, não é arte se não for verdadeira
Mas também não é arte se não for original,

A arte é a junção perfeita e única
Da verdade do sentimento
Com a criatividade do pensamento

Então deixo-a correr-me pela ponta dos dedos
Depois de ter percorrido todo o meu corpo
Neste profundo sono
Que é sentir sem consegui explicar
Porque o sentimento não se explica
Apenas se sente

O sentimento é uma redundância do sentir
É o inexplicável que só pode ser explicado
Nas entrelinhas do coração
Escritas em cada sorriso
Que erradio enquanto escrevo
E transcrevo os sentimentos, as minhas ilusões
Para o papel
Numa tentativa de por em palavras
O que nem sequer consigo explicar,
O que sinto e quero sentir
Para poder continuar a sorrir,
Para poder continuar a escrever
Numa autodescoberta
Que nunca darei como certa

Marisa V

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meta atingida...


Ontem adormeci,
Com uma lágrima no canto do olho,
Hoje acordei,
Com a lágrima caída ontem,
Na minha almofada …

É a lagrima de quem tem memórias,
Do dia de hoje,
De quem tem as mais belas recordações,
Do dia de hoje,
De quem tem saudade destas memórias.
Que marcaram o dia de hoje…

Já passaram 365 dias,
Do dia que marcou minha vida,
O dia em que apresentei o meu trabalho,
O projeto, que foi o espelho,
Do quem fui durante os três anos de estudante,
Os três melhores anos da minha vida,
Os anos passados na escola,
Que guardo para a eternidade no meu coração…

O tempo passou,
Mas nada se apagou,
Da minha memória,
Tudo guardou…

Lembro-me de tudo,
Da tarde anterior a este dia,
Que preparei o meu Arraial…
Subi a escodo-te e pendurei fitas,
Arrastei mesas e cadeiras,
Decorei-as com tecidos coloridos,
Fiz laços em fitas,
Fiz tudinho, para deixar tudo preparado,
Para o grande dia,
Fiz o que hoje faria…

Passou o dia de preparação da sala,
Veio o dia da apresentação,
O meu coração pulava de nervos,
Minhas mãos não paravam,
Dando os últimos retoques,
Tinha de estar tudo perfeito,
Para o espelho de quem sou
Ser apresentado…

Estava ansiosa, por tal hora chegar,
Mas era só à tardinha,
Que essa hora ia chegar,
Tinha de esperar e esperar,
Mas não esperei sozinha,
Os meus amigos,
Os que escolhi para estarem,
Ao meu lado neste dia tão importante para mim,
Estavam comigo,
Ajudaram -me,
Apoiaram –me,
Acalmaram-me,
Divertiram-me,
Mas acima de tudo, estenderam me a mão,
Abrirão seus braços e deram-me,
Um grande abraço,
Aquele abraço apertado,
Que nos dá um aconchego,
Que só os amigos sabem dar…

O meu estômago estava pequenininho,
Sitia-me cheia,
Mas cheia de ar,
Porque comida, não entrava,
Porque a ansiedade era mais forte que a fome,
Porque os nervos eram mais fortes que o alimento…

Falei e falei,
Treinei e trenei,
Repeti e voltava a repetir,
Todas as palavras que daqui a nada seriam ditas,
Para serem avaliadas,
Treinava e treinava,
Mas não saiam as palavras que queriam,
Nem as frases que desejaria,
Estava stressada enervada,
Não consigo falar!?
Não vou conseguir dizer isto!?
Mas eu no fundo sabia, que quando fosse a hora da verdade,
Tudo iria escorrer da minha mente,
Que andou a trabalhar durante nove meses,
No projecto “laços,”
O projecto em que me entreguei de corpo e alma,
De corpo presente,
De alma aberta,
Para dar e receber,
Os melhores sorrisos,
Os sorrisos dos meus velhotes…

Acerta altura cansei-me de treinar,
Não queria saber mais daquilo,
Não quero, porque eu sei o que vou dizer,
Porque fui eu que fiz,
Ninguém sabe melhor que eu,
Eu sei que vou conseguir,
Só tinha medo de o tempo atingir,
E ter muito ainda por dizer…

Aproxima-se a hora,
Meus amigos dão me força e dizem:
“Tu és capaz”
“Ninguém sabe mais do teu projecto que tu”
“Acredita”
Foram estas as ultimas palavras,
Que ouvi antes, dos júris
Entrarem no meu arrial,
Ao som do arcoodeon…
Não sei explicar,
Mas a partir do momento que entraram na sala,
Os nervos voaram,
Não sei explicar,
Apenas pensei,
É agora ou nunca,
É agora que vou mostrar o meu orgulhoso trabalho,
Não vou deixa-lo envergonhado pela minha prestação,
Não merece isso…

E comecei,
A apresentar o meu projecto,
O projecto que tanto me deu orgulho fazer,
Que hoje voltaria a fazer,
Hoje que com toda a certeza,
Não me via a fazer outro,
Nem com outro público…

Apresentei sem nervos,
Sem ansiedade,
Calmamente as palavras soltavam-se,
As frases surgiam,
Não sei de onde,
Mas vinham,
Vinham frases saídas do coração,
As puras palavras…

Falei,
Mostrei trabalhos,
Fomos à quermesse,
Compramos umas rifas,
Comemos uns bolinhos
E ouvimos musica,
Tudo o que é preciso para um Arraial…

E foi decorrendo a apresentação,
Até que findou,
Findou com lágrimas de emoção,
Eu que era o ultimo trabalho a realizar,
O projecto que adorei concretizar,
Com o publico que amo trabalhar,
Eu que era a ultima actividade a fazer naquela escola,
Para acabar o curso, que à três anos tinha começado…
No júri e nos amigos dançavam lagrimas de orgulho,
Em ambos festejavam lágrimas de felicidade…

Tinha lagrimas de felicidade,
Acabei o curso,
Tinha lagrimas de angustia,
Acabou tudo,
Acabou numa hora,
O que construi em nove meses,
O que vivi em três anos,
Acabou hoje!!!!

Ao acabar apresentação recebo laços e mais laços,
Os laços do abraço,
As melhores fitas,
Que alguém me pode dar, os braços…

E sem dar conta,
O pano desta história fechou,
Com aplausos,
Com a certeza de meta atingida...

Susana V

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Missão cumprida


Acordei nostálgica
No meio de recordações
Que nos marcam a vida,
Pensando num dos dias mais importantes da minha vida,
Em como o tempo passa rápido
E de repente já passou um ano
Desde o culminar de 3 anos,
Do ponto alto e mais importante
Do meu percurso nesse período
Tao importante para mim

Lembro desse dia
Como se o vivesse hoje mesmo
Lembro-me de cada palavra,
De cada emoção,
De cada pensamento,
De cada gesto

Dos nervos com que acordei
E me acompanharam toda a manhã,
Do bolo que me fora oferecido
E me recusei a comer
Por ter um enorme nó na garganta

O banco ao lado da porta onde tudo se iria passar
Em que me sentei com quem escolhi
Para me apoiar, para me acompanhar
Em tão importante momento

De quem vi, com quem estive
Durante todo aquele tormento
Que fora toda a espera

Dos nervos que aumentavam
À medida que se ia aproximando a tão esperada hora
Que cada vez mais tardava a chegar
Por atrasos de última instância

Fora tantas as vezes que me levantei,
Que escutei à porta como uma menina pequena
Foram tantos os passos que dei
Num pequeno canto
De um enorme espaço

Das histórias insignificantes
Que já ouvira noutras ocasiões
Mas que naquele momento
Foram tão importantes
Para me ajudar a descontrair,
Para me por a sorrir

No fundo acho que não estava só nervosa por mim
Estava também por quem estava
Na mesma situação que eu,
Por aquela pessoa especial
Que por mais que tentou demonstrar
Também estava com o coração nas mãos
Com a ânsia normal do culminar
De tão importante evento
Que é um percurso escolar
Ao qual nos dedicamos, horas, dias, semanas, meses…

Finalmente saiu.
Era a minha vez!
Não conseguia pensar,
Não conseguia respirar

Já estava mais aliviada
Por lhe ter corrido tudo bem
Mas o pior estava para vir
E faltavam poucos minutos
Para o começo do grande final

Comecei a preparar as coisas,
Estava num estado de nervos e ansiedade tal
Que não havia nada que me pudesse acalmar, pensei

Mas de repente
Uma voz.
Um abraço.
Um amigo.
“Ninguém conhece o teu projeto melhor que tu!”

Uma simples frase
Fez aliviar o meu pulsar,
Abriu-me a alma,
Pôs-me de novo a respirar

Era tudo o que precisava naquele momento,
A motivação que me faltava,
A força para seguir em frente por que ansiava
Vinda de quem menos esperava

“É agora!”, gritei em silêncio
Comecei a falar,
Sabia tudo de cor,
Argumentei mal sem vacilar
Quando confrontada com “ses” e “porquês”

Senti-me estranha,
Não me conheci,
Não conhecia aquele eu corajoso

Acabou!
Já tinha feito o meu papel,
Dei o meu melhor e sabia
Agora já não dava para voltar atrás

Saí meio a correr,
Abracei os primeiros braços que encontrei,
(Eu que nem sou de demonstrações de afetos)
Pulei de alívio,
Festejei

Não sabia o que fazer
De tanto sentimento,
De tanta emoção
Era a felicidade de realização
Contratando com a frustração
Da despedida de uma vida
Quase que paralela ao mundo real

Estava a acabar o meu percurso escolar,
Estava a chegar a hora de me despedir
Do que tanto gostava de fazer,
De onde tanto gostava de estar,
De quem tanto gostava de ter

Estava na hora de dizer adeus
De pensar “Missão cumprida!”
De sorrir e guardar todos os momentos
Todas as recordações,
Que fazem parte da minha pequena história,
Que me fizeram crescer,
Que me fizeram quem sou.

Marisa V

Motor do Pensamento...

O vento que paira no ar,
Dá asas ao meu cabelo,
Que não pára de voar,
Dá agitação à minha mente,
Que não pára de pensar…

Supras suavemente,
Ao meu ouvido,
Cada sopro teu,
É cada pensamento meu,
Cada angustia,
Cada alegria,
Bate forte,
Não na minha face rosada,
Queimada pela sol,
Bate forte,
No meu quentinho do coração…

O teu supro era a velocidade da minha mente,
Sopravas baixinho, que parecias um bebé a dormir,
E eu pensava lentamente, como uma tartaruga,
Sopravas ferozmente, que parecias um homem a lutar a fingir,
E eu pensava ferozmente, como uma pulga...

Eras o meu motor,
Que me levavas ao confessionário,
Com o teu supro suave,
Levavas-me à beira das águas calmas,
Águas que pairam no horizonte,
As águas da minha vida,
Ás águas do mar,
Que são o meu confessionário…

Pensava em tudo e em nada,
Pensava no nada que era ontem,
No tudo que é hoje..

Pensava no tempo, 
O tempo que voou,
Num sopro de vento,
Que em tão pouco tempo,
Tanta coisa mudou, 
Muitas deixou,
Tão pouco tempo,
Mas muito marcou,
No areal da minha vida, 
Coração…

Susana V

terça-feira, 10 de julho de 2012

Telepatia do amor


Nunca pensei que fosse possível
Encontrar alguém assim como tu,
Alguém que pensasse como eu

Lembro de olhar para ti
E pensar quem está por de trás
Daquele rapaz extravagante,

A pouco e pouco começamos a falar,
Trocamos opiniões,
Fomos nos conhecendo

Rapidamente percebi,
E tu percebeste também,
Que já não precisávamos de falar
Só é preciso trocar uns olhares,
Deixar o silêncio falar
Que os nossos pensamentos são iguais

Não importa a ocasião,
Não importa as temáticas
Desde as conversas mais ocasionais
Aos temas mais sérios
Acabamos sempre por acordar
Sem precisar de grandes discussões

Estamos sempre em sintonia
Apesar da diferença de personalidade
Para os outros tão notável,
Mas que para nós
Acaba por ser nada mais que banal

O tal rapaz mistério foi desaparecendo
À medida que te fui conhecendo
Descobri um novo ser
Por de trás do rapaz extravagante
Deu lugar ao rapaz carinhoso
De sorriso fascinante,
De olhar penetrante
Por quem me apaixonei

Levada pela magia da telepatia do amor,
Que me cativou e me roubou a alma
Como que num filme romântico
A que assisto passiva, calma
É a história encantada
Que me deixou enamorada
Por este amor semântico

Marisa V 

O que somos!?

Somos turistas,
Desta curta viagem,
Curta e cheia de obstáculos,
Somos turistas que passeamos,
Que lutamos por ver novos horizontes,
Que trabalhamos conquistando novas fontes,
Somos turistas sim!
Da viagem mais curta,
Que é a vida…

Somos artistas,
Desta tela,
Hoje colorida,
Amanhã cinzenta,
Somos artistas,
Tentando desenhar o melhor possível,
Na tela, que é a vida…

Somos peças de um puzzle,
Que aos poucos, vamos-nos juntando,
A outras peças, a outros bocadinhos de gente,
Que todos juntos, formamos um puzzle,
Somos um puzzle,
Alguém nos pega ao colo,
E coloca no nosso devido lugar,
O destino…
É ele que nos coloca nos sítios onde devemos ficar,
É ele que coloca com as gentes que devemos viver,
É ele que nos coloca junto, das peças que devemos criar união…

Somos pessoas capacitadas,
Possuidoras de saberes,
Conhecimentos e valores,
Apresentamos-mos com qualidades e defeitos,
Nesta curta viagem,
Nesta tela,
Neste puzzle,
Na vida...

Porém ás vezes podemos ter muitos conhecimentos,
Saber mil e uma coisas,
Ter imensos livros de temas científicos,
Possuir mas que mil e uma vonatde de ajudar,
Mas nada dos conhecimentos,
Nada dos saberes,
Nada dos livros,
Ajudam quando mais precisamos,
Quando vemos alguém,
A terminar a sua viagem,
Na qual foi turista, juntamente connosco,
Que pintamos a tela colorida,
Hoje cinzenta…

Somos inúteis,
Aos olhos do destino,
Podemos fazer mil e um trajetos,
Mas é ele o condutor,
Podemos correr mil e um caminhos,
Mas só ele sabe a nossa meta...

Susana V

domingo, 8 de julho de 2012

Ímpar unido

Entro em casa sozinha
Acompanhada de doces recordações
Olho em volta e tento-te encontrar
Mesmo sabendo que não vais lá estar

Largo as minhas coisas
Para ficar mais leve
Como que a tirar o peso que carrego
Desde aquela tua partida
Já planeada mas não esperada

Subo as escadas meio a arrastar
O passo que não quer voltar
Àquele que foi o nosso ninho de amor
Onde me aqueceste com o teu calor
Durante curtas horas,
Pequenos momentos intensos, intermináveis
De escassos dias
Vividos numa fantasia

Chego ao quarto cansada
De carregar todo este fardo
De querer e não ter,
De querer saber e não saber
O que tudo aquilo significou para ti,
Conseguir explicar o que eu senti

Deito-me na cama
Agora tao grande, tão vazia
Sem a tua presença,
Sem o teu corpo unido ao meu
Juntos num só ser
Pelas carícias,
Pelos beijos,
Pelos sorrisos,
Pelos olhares,
Pelas palavras,
Pelos silêncios
Pormenores que não consigo esquecer

Levanto-me, abro a janela,
Preciso de apanhar ar
Sinto-me a sufocar
No meio de tantas memórias
De tão pouco tempo

Vou para a varanda
De onde posso ver o mar
Que tanto me ajuda a acalmar

Parece que estou a viver
Num sonho tumultuoso
De onde não há hora de acordar

Preciso de ti aqui,
Preciso que me acordes,
Preciso de te sentir,
De te tocar,
De te cheirar…

Oiço-te!
Sim, também preciso de te ouvir

Ai, parece tão real este sonho,
Essa tua voz a chamar-me,
A dizer-me para te seguir,
Para te abrir a porta do meu coração

Não!
Não é um sonho
É mesmo realidade
Tu voltaste e agora chamas-me

Não estás só no meu pensamento,
Estás a minha porta a gritar por mim,
Voltaste para me acordar
Voltaste por ti, para mim, para nós

Queres voltar a acender a chama
Intensa que ardeu tanto e tão rápido,
Queres soltar uma labareda sem fim,
Queres apoderar-te de mim,
Ser a minha melhor metade,
Sermos um ímpar unido
Neste mundo de pares repartidos

Marisa V