sábado, 28 de julho de 2012

Página pesada

Gostava de ter uma borracha
Que apagasse o que sinto
Assim como se apaga
Um erro escrito a lápis

Mas tu marcaste-me como ninguém
Escreveste o teu nome a caneta
Vermelha, pensei eu
Vermelho a cor do amor
Mas essa cor escureceu
Tornou-se preta
Preto a cor da dor
A dor de não te ter
A dor que não consigo apagar

Tento virar a página
Para continuar a viver
Para continuar a escrever
Mas esta página é pesada
E não tenho força para a virar
É como se algo a empurrasse
E não a deixasse mexer
É a voz do meu coração
A lutar contra a minha razão
Luta que não consigo vencer.

Marisa V

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mistério Encantador...

Hoje estou deitada,
No areal da vida,
Hoje sinto um formigueiro,
Nos  pés descalços,
Assentes na areia espalhada,
Pelas ondas manda-as por um feiticeiro,
Dando abraços,
Aos vagos da areia molhada…

Estou estendida,
Na toalha sobre a areia,
Estou de olhos fechados,
Apenas vejo o vermelhão,
A cor do sol,
O calor do verão,
A única cor,
Que atinge minha visão…

Permaneço minutos após minutos,
Embrulhada na melodia suave,
Das ondas aos abraços com a areia,
Rodeada de pensamentos,
De como as ondas suaves,
Chegam e vão,
Sem dizerem de onde vem,
Sem explicarem para onde vão…

Aparecem vindas, não sei de onde,
Chegam à nossa beira,
E rebentam,
Recuam não sei para onde,
Vão, mas deixam a marca,
Da sua presença,
A espuma que se forma,
Na beirinha da água,
Que ninguém sabe onde se transforma,
Só se sabe que é espuminha,
Deixada pelas ondas misteriosas…

São dias após dias,
Que permaneço deitada,
Ou mesmo sentada,
A olhar para tal mistério,
A observar tal magia
Que é o nascer da onda…

As questões ficam, sem resposta,
O mistério permanece, sem desfecho,
As ondas continuarão a cantar.
O mar continuará sem feicho,
Para fechar o mistério,
Que tende a encantar…

A vida é um mistério,
Nunca totalmente desvendado…
Susana V

Mudei

Mudei.
Já não sou mais a menina inocente
Aquela que não percebe nada
Não sabe quem é nem o que quer.

Agora sou uma mulher,
Não sei para onde vou,
Mas sei para onde quero ir.
Sei o que pensar,
O que sentir,
O que ouvir…

Mudei os gostos
As cores, os amigos,
A música!
Não tenho um estilo qualquer,
Tenho o estilo do meu ser.

Mas há algo que não muda,
Há algo que perdura,
As minhas raízes,
Os meus ídolos principais,
Para todos os momentos ideias.

Talvez não tenha mudado tanto assim,
Talvez tenha redescoberto o que há em mim.
Na profundidade do meu ser,
Quem eu amo não quero perder.

Marisa V

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Caixinha Misteriosa...

Estava eu a arrumar o sótão,
Quando uma vi uma caixa de cartão,
Que me chamou à atenção…

Fui até ela,
Abri cuidadosamente,
A caixa misteriosa,
Abria suando uma melodia,
Bela e grandiosa…

Uma musica de encantar,
Que suava suavemente
No meu ouvido,
Que encantou meu coração,
Com o seu refrão:
“Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again”


Com a balada da musica,
Perdi-me a descobrir,
No que naquela caixa existia,
Descobri grandes corações,
Alguns bonequinhos,
Várias estrelas,
E umas asas…

Descobri objectos diversos,
Tentei perceber sua ligação,
Com o embalar da canção,
Até que decidi experimentar as asas,
Experimentei-as e voei…

Voei bem alto,
Sentando-me na estrela,
Que ilumina a noite,
Sentei-me nos braços da lua,
Que devagarinho baloiçava,
Sentei-me no colo da rainha da noite,
No baloiço da música…

Baloiçava a lua,
Ao som da melodia,
Que ouvia cá de baixo,
Do sótão,
Que tinha a bela melodia,
Guardada para este dia,
De luar…

Eu sentada, permanecia encantada,
Pelo belo que é a noite,
Pelo fantástico que é o céu,
Pela lua fascinada,
Com música que a caixa cantada…

Lá de cima,
Ouvia o mar,
Que tanto me sabe acalmar,
Tal como a melodia,
Que hoje oiço tocar,
Da caixa que à pouco estava a limpar…

E a música embalava minha noite,
Com o seu sentimento puro,
De quem a sente verdadeiramente no coração…

Ouvia –a olhando para as estrelas,
Vendo cada amigo por detrás delas,
Fazendo um bonequinho,
Na minha cabecinha,
Formando o amigo,
Que por de trás da estrela se esconde…

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday

O ultimo refrão da bela melodia,
Dá por fim, este dia,
Dando –me novamente as asas,
Para regressar ao sótão,
Com a certeza do significado,
De tais objectos,
Encontrados na caixa de cartão…

As asas servem para voarmos,
Em direção aos amigos,
Que são as estrelas que brilham,
Não só na escuridão da noite,
Mas também na luz do dia,
São nas estrelas,
Que vemos os bonequinhos,
Vemos as formas dos amigos,
Que nos enchem de miminhos,
Que nos dão todo o carinho,
Que nos enchem o coração de amizade,
O sitio ideal onde vivem os amigos,
No coração…

Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been

Susana V

Possuída pela tua voz


Estou em frente à televisão
Espero ansiosa pela tua atuação
O teu nome é anunciado
Paro e oiço com atenção

As espectativas são altas
Ou não se tratasse de ti,
O meu grande ídolo,
O meu amor panótico,
Que me alenta e me acalenta
Que me transtorna e me exalta

Apareces!
Ouve-se os primeiros acordes da música,
O meu coração começa a palpitar
Começas a cantar
Sinto-me a voar

Esse teu visual transformado,
Essa voz inigualável,
Que eu pensei conhecer tão bem
Percebo que está igual ao rei, ao nosso mestre
Afinal foi com ele que aprendeste

Estou estupefacta
Sempre soube que eras um grande talento
Já há muito que és meu ídolo, meu alento
Que me faz sorrir
Que me apoia sem saber
Na música que cantas
E a cada vez que oiço
Cada vez mais me encantas

Surpreendeste-me mais uma vez
Deixaste-me sem palavras, sem reação
Fazes-me perder a noção
Nada importa, só tu e a tua canção

Deixo-me levar pela balada
Entrego-me à tua atuação por inteiro
Estou possuída pela tua voz
Que me torna indefesa, transparente
Sinto um arrepio,
Congelo o olhar

Deliro com a tua arte
É mais que uma vocação,
É um dom,
É verdadeiro
É paixão

Marisa V

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Paixão tentação


O que sinto por ti?
Não há muito a dizer,
É algo que não consigo expressar,
Que não consigo explicar

Sempre te vi como amigo
E nem eras dos mais chegados
Dávamos-nos bem, nada de mais

Mas depois daquela noite
Tudo ficou diferente
O meu pensamento só está contigo
Quando olho para ti
Fico tudo menos indiferente

Tento controlar mas não consigo
É uma ânsia de te tocar,
Uma sede de te beijar,
Sentir o teu respirar

Agora estás a olhar para mim
Perguntas-me porquê
Porque não quero seguir em frente?
Por que é que estou tão indecisa?

Olho para o infinito no horizonte
Tento não encontrar o teu olhar
Porque sei que não irei resistir

Desculpa se não tenho coragem
Para me atirar ao desconhecido
Desculpa se não sei amar,
Se amar é ser destemido

Mas tenho medo,
Medo da distância que nos separará,
Medo de não te satisfazer,
Medo das nossas diferenças serem incompatíveis
E não se encaixarem
Medo das nossas ambições,
De onde elas nos levam,
De não se cruzarem

Cruzados estão nossos olhares
Neste momento
Não sei como conseguiste
Mas tocaste-me por dentro

Conquistaste-me com esse olhar
Nos olhos inesperado
Acompanhado por uma carícia prolongada na mão

Roubaste o meu coração
Neste preciso segundo
Percebi agora que é mais que paixão
É amor profundo
Que me faz esquecer
O meu medo dos medos
Que me faz querer ter-te a meu lado
Para, juntos, criarmos um mundo

Onde a as ondas do mar
São a nossa melodia,
Onde o sol quente
É o nosso guardião,
Onde a areia molhada
É a nossa testemunha
Desta história apaixonada
De um romance encantado

Onde me quero perder,
Amar a teu lado
Nesta paixão tentação que nos guia

Marisa V

sábado, 21 de julho de 2012

Descansando junto ao mar...

A brisa passa suavemente,
Pelas caras enrugadas,
Formadas com linhas curvas,
Construídas ao longo da longa vida,
Que livremente se formaram,
Contando cada uma,
Um episódio de vida…

A melodia do mar,
Entra pelos ouvidos,
De quem muitas histórias ouviu,
De quem muitas escutou,
E agora contou,
Contou à geração
Que o apadrinhou,
A geração que agora,
Lhe dá seu coração,
Dando-lhe todo o amor e compreensão…

O cheirinho do limo,
Entra pelas narinas,
De quem muito cheirou,
Novas fragâncias,
De quem muito viajou
A novas localidades,
Cada uma com o seu cheiro característico,
De quem muito frequentou,
Terras de cultivo,
Sabendo o perfume de cada semente lançada,
Na terra por eles cultivada…

A areia do areal,
Fazia comichão nos pés,
De quem andou muito,
Para chegar onde hoje chegou,
De quem muito caminhou,
Em direção ao trabalho,
Retomando sua casa,
De quem muito correu,
Para que nada falta-se,
Na mesa de sua casa…

O descanso pairou na esplanada,
Na esplanada da praia,
Onde a brisa chegava,
A melodia do mar encantava,
E o cheiro do limo perfumava,
A manhã das caras enrugadas,
De sorrisos de eterna felicidade…

A vida marcou as linhas curvas,
Nas faces de quem hoje está feliz,
Que ontem muito trabalhou,
Que ontem muito lutou,
Para que hoje descansa-se,
De uma forma feliz…

Hoje sentem a brisa,
Apreciam o beleza do mar,
Cheiram o limo,
Ouvem a melodia de encantar...

Desancando junto ao mar,
Possuem a tranquilidade,
Que acalma seus corações,
Possuem sossego,
Que tranquiliza suas mentes,
Possuem qualidade de vida…

Hoje descansam os que ontem trabalhavam,
Hoje trabalham os que amanhã descansarão,

A vida é um ciclo,
Hoje são eles as faces enrugadas,
Amanhã seremos nós,
Por isso vamos tratar o nosso futuro com respeito,
Dando amor,
A quem já cuidou de nós…

Susana V

Parar e sentir


Por vezes sabe bem ficar
Apenas sem fazer nada
Quebrar a rotina desgastante do dia-a-dia
Com um pouco de calma e paz.

Esquecer o passado, o presente e o futuro.
Não pensar nos problemas,
No que foi e não foi,
No que poderia ter sido e no que será.

Parar sem pensar,
Apenas deixar-se levar
Ao som de uma música de fundo,
Ler um livro e entrar noutro mundo,
Dar um passeio
Sem nenhum devaneio

Fazer algo que se goste
E de que se possa desfrutar
Sem grandes complicações e sobressaltos.

No fundo é preciso desfrutar
Momentos íntimos, para esvaziar
A mente para que esta se possa abrir
Novamente e encarar a vida
De uma maneira mais leve e fugaz
Sem grandes altos e baixos
Só parar e sentir

Marisa V

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mundo de opostos


Podia falar da beleza da amizade,
De inimigos cheios de falsidade,
Do valor de um sorriso,
Da causa de uma lágrima,
Do abraço que preciso
Da crueldade alheia ávida

Vivemos num mundo de opostos
Em que nem todos estamos dispostos
A conviver na discrepância
A viver unidos na distância

O mundo não é um mar de rosas
Mas por que não,
Se até a mais bela das rosas tem espinhos

Assim como o mais calmo dos caminhos
Com a mais estética paisagem
Tem suas partidas e contratempos
Que põem à prova a nossa coragem

Até a desgraça tem graça
Pois o humor negro
Também faz rir

Até as nuvens que tapam o sol
Nos fazem sonhar
Com as suas formas variadas
Que tentamos descobrir

Até a tristeza tem beleza
Transcrita num poema sentido
Numa música sentida
Que muitos ouvem pela batida
Sem ser de facto ouvida

Nem tudo é perfeito
Nem tudo é feito de defeitos

A perfeição é a mais imperfeita ilusão
A imperfeição é a mais perfeita condição

Marisa V

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dança Especial...

Lembro-me como se fosse hoje,
Da primeira vez que pisei,
Da primeira vez que dancei,
No palco de madeira,
O palco de musica,
Que á muito toquei…

Eu termia por tudo o lado,
Estava ansiosa,
Receosa,
De subir aquelas escadas de madeira,
Conduzindo-me ao palco,
Com efeitos de musica verdadeira…

Estava eu nervosa,
Estavam os meus amigos dançarinos,
Tínhamos receio,
Tínhamos medo,
De algum passo trocar,
De algum movimento falhar,
E a actuação estragar…

Todos nos diziam:
- Não se preocupem,
Se se enganarem,
Ninguém reparará,
Voçes são os dançarinos,
Nós aqui só aplaudimos,
Nós não sabemos o que nos esperará,
Por isso o que vier virá,
Será sempre uma optima dança,
Porque outra, não vimos…

Mas não,
Nós não queríamos de todo,
Trocar passos,
Falhar movimentos,
Porque todos os passos,
Porque todos os movimentos,
Faziam a dança,
Aquela dança,
Que tem um significado especial para todos nós…

Os nervos, os tremores,
As angustias, os receios,
Esses não foram capazes,
De subir a escada de madeira,
Que estava entredita,
Com os sentimentos daquela sexta feira,
Estava entredita,
Pela alegria,
Pela felicidade,
Que enchiam nosso coração,
De satisfação e emoção,
De quem dançava por paixão…

Dançávamos sem parar,
No palco da musica,
Só queríamos dançar,
E em nada pensar,
Só queríamos ouvir a musica,
Senti-la no coração,
Apertado com o sentimento,
Que esta no leva até à emoção….

Hoje perdi o rasto ao palco,
Hoje só tenho recordações,
Das danças,
Da especial dança,
Que todos dançávamos com emoção,
De quem tinha um grande sentimento,
Que nos tocava no coração…

Hoje caiem-me lagrimas de saudade,
No rosto de quem dançou com felicidade,
No palco da música, que era a minha liberdade …

Susana V