quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Queria...

Queria poder chegar até ti
Saber como estás sem mim,
O que andas a fazer por aí

Queria voltar ao passado
Que erámos e parar o tempo
E viver contigo na infinidade

Queria saciar esta saudade
Que me inunda de lagrimas
Quando penso em ti
Em tudo o que passou
E no que jamais irá passar

Queria calar o meu coração
Que só por ti sabe chamar
Não me deixando apagar
Todos os meus desejos
Que me estão a magoar

Queria controlar o meu pensamento
Que te procura e te grita
Em qualquer lado,
Em qualquer pessoa
Por entre colinas de lembranças
E mares de desgostos

Queria abrandar este vento
Que me empurra de um lado para o outro
Criando remoinhos no meu caminho
Impedindo-me de ir atrás de ti
Deixando-me a querer
Um dia poder te esquecer
Quando no fundo
Eu só te queria ter

Marisa V

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sonho ir e voltar…

Sonho poder tocar,
Na estrela brilhante,
Que de lá longe me sabe encantar,
Pelo sua luz fascinante,
A luz cheia de magia nesta noite de luar …

Sonho poder beijar,
A face rosada da lua corada,
A princesa que ilumina esta noitada,
Com a sua luz de luar…

Sonho poder abraçar,
O corpo da lua,
Hoje magrinho, amanha gordinho,
Hoje a mentir, amanha a dizer a verdade,
Sonho entrelaçar,
Meus braços, com a fada deste eterno luar…

Sonho voar até ti,
Poder-te tocar,
Sentir a chama da tua luz,
Poder-te beijar,
Sentir o teu sabor de luz
Poder-te abraçar,
Sentir o teu calor de eterna luz…

Sonho ir e volta,
Ao céu numa noite de luar…

Sonho ir e voltar…

Susana V

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Lágrima perdida

Uma lágrima perdida
Corre sobre o meu rosto
Sai do seu posto à tua procura
Não aguenta a saudade
E vai correndo em liberdade
Deixando a marca da sua passagem

Ao chegar ao fim da sua viagem
Acaba por não te encontrar
Desaparece como uma miragem
Como tu partiste sem te poder agarrar

Marisa V

sábado, 18 de agosto de 2012

Ainda escrevo o teu nome areia!


Ainda escrevo o teu nome na areia
Num passeio à beira-mar
Num fim de tarde dourado
Pela recordação assombrado

Ainda penso em ti antes de adormecer
Por entre uma lágrima perdida
E um soluço escondido
Por não te ter ao meu lado
Como quando dormíamos abraçados

Ainda me invades os sonhos
Onde estamos só os dois
Apaixonados como antigamente

Quando acordo de repente
Perdida entre o sonho e o real
Vindo da saudade
De te ter,
De te sentir,
De te pertencer

Por mais tempo que passar
Não te consigo deixar
Fico presa ao passado
Passado contigo

Levado na corrente da dor
Num mar que já foi nosso
Onde agora te revejo na solidão
Trazendo-te apenas no coração
E não como em tempos,
Guiando-me pela mão,

Mão vazia agora vagueia
Pela areia molhada à beira-mar
Onde te relembro mais uma vez

Ainda escrevo o teu nome areia!

Marisa V

Chama acesa…


Numa noite de verão,
Uma noite tranquila e quente,
A luz que toda a gente,
Mantinha acesa para iluminar a escuridão,
Apagou-se…

Em cada casinha,
Via-se pequenas luzinhas,
As velinhas
Que com a sua chama,
Iluminavam a cozinha,
Onde toda a gente permanecia,
Comendo a sopinha,
O jantar deste dia…

Eram velas no centro da mesa,
Iluminado a sala de jantar,
Eram estrelas cadentes,
Espreitando pela janela do lar,
Iluminado os sonhos das gentes,
Sentadas a mesa a jantar…

A luz inesperada,
Tornou o jantar especial,
Tornou-o diferente,
Nesta noite encantada,
Pela escuridão,
Pela beleza do que é natural,
A luz criada pelo homem...
A chama…

O jantar deste dia,
Teve um sabor especial,
Teve um encanto jamais esquecido,
O encanto nem sempre concebido…

As estrelas espalharam luz,
No seu manto escuro,
Espalharam magia,
Em cada pessoa que saia à rua,
Para ver a luz da alegria,
A luz da estrela cadente,
Aquela em que, cada um pede um desejo,
Aquela que brilha mais, que todas as outras,
Aquela que te ilumina…

Numa noite aparentemente normal,
Surgiu numa noite fenomenal,
Onde a chama permaneceu acesa,
Nos corações de quem por ela foi iluminada,
Onde a estrela cadente ouviu cada desejo,
De quem por ela foi encantada…

A chama nem sempre aparece visível,
Nas tuas noites,
A chama aparece sempre invisível,
Nas tuas noites,
Enroladinha no teu coração,
Só tens de cuidar dela,
Deixando que a chama nunca se apague,
Deixando que os desejos vivam,
Sempre com uma grande chama,
Dentro da base da vela,
O coração…

Susana V

União Poética

A poesia mora dentro de cada um,
Que vibra com cada frase escrita de coração,
Sentida com emoção,
De quem lê o que escreve,
Lendo o que precisa de ler,
Aliviando sua recordação…

A poesia mora dentro da caneta,
Que cada um usa, para escrever,
Cada palavra,
Cada estofe,
Para escrever a tinta,
O que devemos ao mundo enaltecer,
A escrita…

Poesia mora dentro do papel,
Que cada um deixa marcado,
Com a sua inigualável escrita,
Onde cada um desenha as suas letras,
Decorando o papel,
Com desabafos de letras sentidas,
Do coração apertado…

A poesia foi o cupido,
Que uniu a caneta e o papel,
Com um nó inquebrável,
Conduzindo-os ao coração,
De quem testemunhou sua união …

Poesia é papel e caneta na mão,
E desabafo deixado pelo coração…

Poesia é tratar,
A caneta e o papel por TU…

Susana V

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Apagam-se as luzes


A minha vida é um turbilhão
Gira vagaroso
Por onde passa é desastroso

Aparece rápido
Desaparece num final sádico

Não tenho segurança
No chão que piso
Não tenho confiança
No que me rodeia
Não posso afirmar que tudo irá correr bem
Não posso fazer grandes planos

De um momento para o outro
Algo acontece
Tudo muda
E até ao derradeiro cair dos panos
Só a incerteza padece

E quando tudo parece
Não poder piorar mais,
Apagam-se as luzes
E o chão que piso
Parece ainda mais inseguro
E o que te rodeia
Parece ainda mais ameaçador

Marisa V

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Frases feitas


Frases feitas me dizem
Que não posso ter tudo,
Que tenho que optar por isto ao invés daquilo
Que tenho que estar com este ao invés do outro

Frases feitas me fazem
Aceitar a vida como ela é
Sem muito lamuriar

Frases feitas
Paradigmas da sociedade
Justificações do destino infiel
Assombram uma possível realidade

Quem me dera fazer das frases feitas
Apenas palavras desfeitas,
Refazer o meu destino
Não ter de pensar no isto ou aquilo
Não ter de optar por este ou aquele

Quem me dera escrever
Um poema do futuro
Para guiar o meu destino
Para traçar o meu próprio caminho
Por entre rimas de estradas
Nesta minha vida cruzadas
Desfeita de frases feitas
Que me enfeitiçam numa desfeita

Marisa V

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Escutei-o porque quis


Foi com grande emoção
Que o vi hoje
Na sua celebração

Foi como se todos estes anos passados
Não tivessem existido
Como se ainda há uns dias o tivesse visto,
Mas não,
Afinal passaram anos desde a sua partida

Para ser franca já nem estava presente
No meu pensamento,

Em tempos fora uma rotina
Hoje foi um acontecimento
No qual me debrucei
E, inconscientemente, me dediquei

Parei para o ver,
Parei para o ouvir,
E foi tudo tão natural
Como dantes era habitual

A sua voz,
A sua cara,
A sua maneira de falar,
As suas mensagens

Sempre tão profundo,
Sempre tão contente
Em tudo o que diz,
Naquilo que faz

Outrora via-o frequentemente,
Ouvia a sua mensagem
Que cativava toda a gente

Hoje foi diferente,
Parei e escutei atentamente
O que dizia
Feliz

Porém fiquei com pena,
Não triste, com pena
De antigamente, por ser tão nova,
Não o ter escutado,
Apenas ouvido

E agora, que tinha idade e maturidade
Para o escutar,
Para receber a sua mensagem
Não consegui como queria
Ou talvez como devia

A verdade é que depois de tanto tempo
Mudei
Apesar de uma vida regida
Pela doutrina que defende

Já não é bem a minha crença
Eu cresci,
Passei por várias situações,
Conheci pessoas diferentes,
Partilhei de novas experiências
Com novas pessoas, com outras vivências

Não sei o que foi,
Nem tão pouco, como foi
Ou mesmo porque foi
Simplesmente mudei

Mudei as minhas rotinas,
Mudei a minha forma de pensar,
A minha forma de agir,

Criei a minha própria filosofia
Baseada na minha história,
Nos meus ideais

Contudo não pude deixar de o escutar
Porque de uma maneira ou outra
As suas palavras acabaram por me tocar

Não sei se foi do gosto de o rever
Não sei se foi por ter feito parte da minha vida
De ter acompanhado a minha meninice

Mas desta foi diferente
Escutei-o porque quis,
Talvez porque se não o fizesse
Alguém ia perguntar o porquê de não o fazer
E isso era algo que não queria dizer
Pois o que é simples para mim
Para os outros não é bem assim

Apesar de tudo foi agradável
Revê-lo, reouvi-lo
Porque tudo o que nos marca positivamente
No passado em que sorrimos
No presente em que vivemos
É sempre bom recordar 

Marisa V

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

És a dança


A noite escura sussurra o teu nome
Por entre gritos furiosos
Está um calor estranho no ar
A música começa a tocar
E a pista improvisada
Enche-se de luz

Surges por entre a multidão
Ficas bem no centro
Dos bailarinos já presentes
Danças como ninguém
É algo que vem de dentro,
Da alma, do coração

Controlas a dança
Controlas os bailarinos
Controlas tudo o que te rodeia
Apenas com os teus passos
Que te fluem tão naturalmente

Começa a cair uma chuva inesperada
Surge um aglomerado de água por todo o chão
Prolongando os teus passos

Os teus caracóis, agora molhados,
Movem-se por si só
A tua indumentária discreta
Salienta-se no meio da multidão
Excêntrica no vestir e no ser
Que parou só para te ver

Por de trás da música sonante
Ouvem-se mais gritos estridentes
Desta vez já não furiosos,
São de excitação, de euforia
Por te ver dançar

Danças como o rei
Com um toque tão pessoal
Que te faz tão especial

Não há palavras que te descrevam
Não és um simples bailarino
Que dança por dançar
Para fazer o tempo passar

Dedicas-te de corpo e alma
És o coração de cada passo
És a alma de cada bailarino
És o corpo de cada coreografia
És a dança

Marisa V