sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Vivas no quadrado...


Nos quadrados pretos,
Encontramos um botão,
Acendendo a iluminação
Que mora por de trás dos pixels pretos,
Trazendo as pessoas vivas, à televisão…

É o botão mágico,
Que abre a caixa imóvel,
Descobrindo o vivo,
Que há na tv imóvel, no móvel…

São as divas personagens,
Que vemos todos os dias,
Através do ecrã estático,
Que nos proporcionam grandes viagens,
Ao imaginário,
Ao real,
À vida quotidiana que vivemos,
Mas que nem sempre apreciamos,
Proporciona-nos passagens pela miragem da vida...

É na companhia das personagens,
Que preenchemos nossos serões,
Enrroscados em cadeirões,
Vamos enchendo nossos corações,
De puras emoções,
Vividas nos ecrãs das televisões...

Muitos serões permaneci,
Sentada no sofá,
A espera de ver as personagens vivas,
As minha series preferidas,
Aquelas que me encantavam
E as que me fascinavam...

No meio do elenco,
Destacava personagens,
As minhas predilectas,
As que me identificava, não sei bem,
As que eram boazinhas, também não serei ao certo,
As vilãs, dificilmente seria também,
Não sei, porque escolhi certas personagens,
Para serem as minhas predilectas,
Não sei o porque, mas sei o porque sim,
Porque eram aquelas que tinham coração puro,
Que conseguiram entrar no meu tesouro,
Fazendo dele vazo,
Semeado a flor da admiração...

A admiração que crescia a cada episódio,
Dentro de meu coração,
Era de tal modo grande,
Que as personagens tornavam-se,
Parte da minha vida...

Meu coração ficava cheio,
Cada vez que as via nos ecrãs estáticos,
Dançando, representando,
Acima de tudo encantado

Hoje meu coração não está cheio,
O botão mágico, acende a televisão,
Mas as personagens não acedem todas,
As minhas personagens predilectas perderam-se na escuridão,
Voaram para o céu,
Onde lá o ecrã escuro é maior,
Para que as estrelas possam brilhar,
Sempre sem parar...

Eu deixei cair várias lágrimas perdidas,
No rosto de quem só tinha o vazio deixado,
Por quem um dia marcou o cheio...

Susana V

Primos


Os meus primeiros amigos,
Os meus primeiros ídolos
Convosco vivi as minhas primeiras alegrias,
As minhas primeiras brigas

Foram as primeiras pessoas
Com quem convivi,
Com quem cresci,
Com quem aprendi

Foram eles que me desenharam
Meio à sua medida,
Segundo os seus padrões

Depois de tantos anos passados
Ainda partilhamos os mesmos gostos,
As mesmas opiniões

Em criança me moldaram
Com todos os repetidos dias
Que comigo passaram

Hoje sou adolescente, quase adulta
Hoje sou diferente de todas as raparigas
Não digo melhor ou pior,
Não digo mais ou menos astuta

Sou apenas alguém que cresceu com rapazes,
Com os primos de sangue e coração

E agradeço essa dádiva
É graças a eles que não sou normal
Foram eles que me tornaram especial

Não sou feminista,
Não sou maria-rapaz
Sou pela igualdade,
 Sou pela originalidade

Sou igual
A quem me marcou
Sou original
Graças a quem, desde sempre, me acompanhou

Marisa V

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Guião intocável


Pode o mundo ser tão pequeno
Que me cruzo com toda a gente?
Pode o mundo ser tao grande
Que nunca te encontro?

Pode a vida me pregar partidas
Sem dar conta
Do que realmente está a acontecer?

Poderá haver coincidências
Que me põe a pensar
Como é possível,
Será carma ou destino?

Será o destino tão matreiro
Que não me deixa exercer qualquer poder
Sobre a minha vida
Escolher quem entra, quem sai
Para onde vou, com quem vou

É tudo tão vão,
É tudo tão pragmático,
É tudo tão impessoal

Parece não haver opções de escolha
Parece não haver poder
Parece não haver liberdade

De escolher o caminho que quero seguir
Aquele que segue até onde quero ir
Partilhá-lo com quem quero seguir

Queria um destino escrito por mim
Tenho um destino escrito por algo ou alguém
Que não sei bem o quê ou quem
Tenho uma vida inexplicável
Sem uma mudança à vista
Neste guião intocável

Marisa V

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fado


Num fado triste me revi
Num fado sentido me entristeci
Senti a alma da minha pátria
É este o meu fado,
É esta a minha sátira

Guiada pelo choro da guitarra
Sentida pelo gemido da voz
De quem canta,
De quem teve uma vida sofrida

Trás dor no canto
É o fado de todos nós

Tem choro na garganta
Nessa mágoa que canta
Numa lágrima transparecida na voz

Num grito por liberdade do sufoco
Sinto a dor da tua verdade
Fado
Que não se ouve por ouvir
Que se aprende a sentir

Marisa V

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Saudade...

Com sete letras escrevo
A palavra saudade,
O sentimento puro,
De quem não sabe com quantas letras,
Escreve seu verdadeiro significado…

Saudade é um misto de sentimentos,
Onde a saudade é um frasco de cristal,
Começa por ser um frasco vazio,
Mas à medida que convives,
Que vives,
O frasco vai enchendo,
Com amor,
Amizade,
Com alegria,
Os sentimentos que vais recebendo,
Quando convives…

Vais vivendo, vais recebendo sentimentos,
Vais guardando-os no frasco de cristal,
Certo dia, as pessoas que te proporcionaram alegria estão distantes,
Aqueles que te deram amor e amizade estão longe,
Do alcance dos teus braços,
Para que os possas abraçar…

É aí que o frasco se parte em pedaços de tristeza,
Espalhando todos os sentimentos no chão,
Aqueles que te dão a razão,
Da libertação da saudade em que vibra o teu coração…

Saudade escreve-se com sete letras,
Envolvendo mil sentimentos,
Que explodem num só coração…

Susana V

Trabalhar com coração

Somos uma peça essencial,
Em cada casa que servirá de bem-estar,
Somos gentes que queremos dar um toque especial,
Nas vidas que moram,
Por de trás das faces frisas,
Das rugas enrugadas,
Contando cada ruga, uma história,
Encontrando em cada história, uma memória…

Somos uma ferramenta fundamental,
Da mala do construtor da sala de convívio,
Da sala cheia de vidas,
Recheada de recordações,
Do passado marcado,
Na mente de quem pensa,
No presente,
Querendo o passado que não volta…

Somos uma peça,
Somos uma ferramenta,
Somos os Animadores Socioculturais,
Aqueles bens essenciais,
Em cada casa de bem,
Em cada lugar que se preocupa,
Com o essencial da vida,
A felicidade do outro…

Somos interpretados como palhaços,
Que fazem umas macacadas,
E que tudo se ri,
Que nos transformamos em bonecos,
E que tudo se ri,
Mas muitos esquecem-se que nós,
Não somos palhaços,
Somos Animadores Socioculturais,
Aqueles seres humanos que sabem dar abraços,
Não com uns braços de palhaço,
Com uns braços de humano,
Somos aqueles que beijam,
A face marcada de histórias,
Não com a boca de palhaço,
Com a boca de humano,
Somos aqueles que trabalham,
Em prol do bem-estar,
Dando a própria cara,
Não escondendo-a por detrás de uma máscara,
Que não é a nossa,
A mascara do humano,
Aquela que só em mim serve…

Sou uma ferramenta essencial,
Em cada resposta social,
Sou uma peça fundamental,
Em cada vida, de forma especial…

Sou a peça de união,
Entre os velhinhos e a nova casa,
A casa que por muitos,
É encarada como ultima morada,
Sendo um engano, tal impressão,
Deve ser encarada como casa de férias,
Uma casa de repouso,
Com atenção e compreensão,
Existindo atividades e muita diversão,
Existindo a chave que abre a porta,
Para a melhor vida,
Aquela em que se descansa,
Vivendo e fazendo o que nunca se fez,
Criando o que nunca se pensou,
Realizando trabalhos que eram sonhos,
Passeando por infinitos locais nunca visitados,
Tendo sempre ouvidos disponíveis, para ouvir
Braços esticados, para abraçar,
Boca pronta, para beijar,
Coração aberto para amar…

Somos os difusores de ideias,
Criamos espaços antigos,
Em novos espaços de férias
As moradas para a nova vida,
A vida com qualidade,
Aquela em que somos essências,
Tornando-nos especiais para os velhinhos,
Os turistas desta vida que é uma passagem ….

Eu escolhi ser Animadora Sociocultural,
Os idosos escolheram-me como fiel amiga…

O mundo está nas mãos de quem luta,
De quem luta pelo que acredita,
Eu acredito, que um dia seremos mais valorizados pelas casas de férias,
Que somos peças essências, não indispensáveis,
Que somos fundamentais na vida,
De quem pelos corredores incolores se deslocam.
Procurando novas luzes de vida…

Defenderei sempre Animação Sociocultural,
Como sendo o motor do meu coração...
Vital para minha sobrevivência,

Amarei sempre os idosos,
Até ao dia em que conseguir ir ao céu e voltar…

Amarei sempre,
O que mais amo fazer,
Animação com coração…

Susana V

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cinco minutos


Já passaram dias, semanas, meses
Desde a tua última visita
Desde o nosso último adeus

Foi mais uma despedida
De tantas que já passei
De tantas que em seco chorei

É sempre a mesma coisa,
Um adeus e um beijo,
Um acenar de mão
Até desapareceres no horizonte,
Um engolir em seco das lágrimas
Que teimam em aparecer

E depois de tantos dias, semanas, meses
Chegou o dia por que tanto ansiei
Desde o segundo em que te vi partir
Pela última vez

Já passou tanto tempo
Sendo o tempo relativo
E para mim
Cada hora sem ti
É um inferno infinito

Mas hoje não há tristezas,
Não há distâncias
Hoje há alegria,
Há proximidade,
Há cinco minutos de união
Que me recarregam para os próximos meses
Enquanto não estás aqui

Não te peço mais nada
Senão estes cinco minutos
Em que te posso ter a meu lado
Que amanhã se transformam em recordação

Não é muito tempo que temos para partilhar
Tantos meses de distância,
Tantas histórias por contar

Mas as histórias são pormenores
O que me é importante
É recordar
A tua maneira peculiar de falar
A tua cara sempre com um sorriso para dar
O teu beijo e abraço
Que reforça este nosso laço
A sensação de realização e felicidade
Quando fazes parte da minha realidade

Tudo o que consigo absorver
Nestes cinco minutos
Distanciados entre milhares de quilómetros
Para os próximos tempos sem ti
Poder ter-te no coração
Como uma presença constante

Perpetuo cinco minutos
Onde me completas,
Onde me descubro um pouco mais
Ouvindo um pouco mais sobre ti

Cinco minutos eternos
Que me acalmam o coração
Mas que não chegam para saciar
A saudade incessante

Marisa V

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ingenuidade


Não!
Já não vou em conversas alheias
Cantigas encantadas
Dos outros que não sabem cantar

Já não quero conselhos
De gente vivida
Que viveu por outros
Que a aconselharam sem pensar,
Despersonalizados
Com a personificação alheia

Estou cansada
De disse que disse,
De que era melhor assim do que ali,
De que era melhor a reta do que a curva
De opiniões pessoais e limitadas
Que não se encaixam em mim,
Não me dizem o que quero ouvir
E muito menos o que preciso para seguir

Ensurdeço os meus ouvidos
Às palavras gastas e vazias
Que ecoam por entre transeuntes
Fingindo ser notáveis e precisos
Mas no fundo, tão ausentes
Desta minha vida

Sigo apenas os meus sentidos
Sem me deixar levar
Por este ou aquele
Que me possa influenciar

Liberto-me de todas essas forças
Que empurram para o que não quero
Livre da ingenuidade
Perante alheios difusos

Caio apenas ingenuidade
Perante a minha imagem sem sombra
Na sombra dos meus sentimentos confusos

Marisa V 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O poema é...


O poema é um desabafo da alma,
Um sentimento imaginado,
Um grito mudo
Do poeta que fala calado
A escrever

O poema é um olhar indiscreto
Para os olhos transparentes
Do poeta que escreve quando sente
E quando não sente, imagina um sentimento
Tão forte quão o sentido

O poema é um raciocínio completo
De um coração partido
De um sonho repartido

O poema é a rotina quebrada
No asilo da dor
No desabafo da saudade
Na declaração de amor
No apego da paixão
No desequilíbrio da razão
No bater do coração

Marisa V

Grande amigo...

Num final de tarde, 
Corro para o meu porto de abrigo,
Corro para o mar, o meu grande amigo…

Passeio paralela às ondas,
Às damas vestidas de branco,
Preparadas para testemunharem,
O casamento do mar com a areia,
Logo que chegarem,
Há praia, à maior festeira …

Vou caminhando,
Lado a lado ao por do sol
Aquele que brilhou,
Mas que agora descansou,
Nos braços das nuvens,
As que com quem casou…

Agora corro, na areia molhada,
Por baixo do céu alaranjado,
A cor que lhe dá o sol,
Nesta tarde iluminada,
Pela alaranjado,
Que é agora o sol…

Passeio, caminho, corro,
Paralela ao meu porto de abrigo,
O mar,
Aquele que me abre sua porta,
Mesmo sem uma casa,
Aquele que oferece um ouvido,
Mesmo sem possui-lo,
Aquele que abraça,
Mesmo sem ter braços…

Porto de abrigo,
É o mar o meu grande amigo…

Aquele que pouco tem,
Mas que muito dá….

Susana V