quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'neill

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Arte de Viver...


Escrever é dar voz ao coração,
Grito à alma,
E asas à imaginação…

Escrever é oferecer vida ao lápis,
História ao papel,
E sentido à vida…

Escrever é doar a ti,
O que há em mim,
Querendo partilhar parte de mim,
A ti…

Escrever é paixão,
Que se ganha,
A cada estrofe escrita,
Por mim sentida…

Escrever é dar o que se tem,
Ao papel que ouve,
Sem questionar,
Ao papel que lê,
Sem reclamar,
Ao papel aconselha,
Mesmo sem falar,
Ao papel que te faz pensar,
Não precisando de boca para te ajudar,
Mas somente espaço para desabafar….

Escrever é arte de viver...






Susana V

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Devaneio da minha verdade


Perco o controlo
Perco-me do mundo
Encontro-me em mim

Numa melodia Rock & Roll
Apartada da violência
Que lhe está rotulada
Entrego-me à minha a essência
Volto às minhas origens

Por mais caminhos que corra
Por mais que me reinvente
Serei sempre original
Terei sempre um lado roqueiro
Escondido na minha alma
Ecoando no meu ouvido

É um estado de ansiedade
Que me acalma
É um devaneio da minha verdade

Marisa V

domingo, 4 de novembro de 2012

Maior Força...

Queria dar te um presente!
Mas.. esqueci-me como se embrulha,
Um beijo...
Para ver alguém alegre a desembrulhar...

Queria dar-te uma lembrança!
Mas... esqueci-me como diminuir,
Um abraço,
Para caber numa caixa surpresa...

Esqueci-me de embrulhar,
O que não tem embrulho,
Um beijo que significa, que te quero amar...

Esqueci-me de diminuir,
O que não se diminui,
Um abraço dando te motivos para sorrir...

Um beijo não se embrulha,
Dá-se desembrulhado,
Um abraço não se diminui,
Oferece-se na sua maior força...

A melhor prenda não é o embrulho,
Não é a caixa de surpresa,
É o amor com que se dá,
O que o dinheiro não compra,
Nem nunca comprará,
Os gestos...





Susana V

Fado português

Há fadista sem poeta?
Há poeta sem tristeza?
Há tristeza sem fado?

Neste fado português
De tão grande altivez
Ser cantado a contar
Sua história,
Sua tristeza,
Sua glória,
Sua firmeza

Marisa V

ps: tinha este poema guardado e não resisti a publicar assim que li o da Susana V, Garra de Fadista

sábado, 3 de novembro de 2012

Garra de Fadista...

As cordas da guitarra,
Vibram a cada movimento,
Impulsionado pelos dedos,
Movidos pelo pensamento,
De quem canta com garra…

A voz de quem canta,
Vibra a cada palavra dita,
Impulsionada pelo coração,
Que sente o que grita,
Com uma eterna emoção…

A letra que alguém interpreta,
É livre de ser interpretada,
Por quem, sentado,
Assiste ao espetáculo que é o fado…

Acompanhado pelas cordas de uma guitarra,
Suando pela voz de um fadista,
Libertando uma canção, com garra,
Que admiram os que assistem
À libertação do fado,
De que é feito o artista…

Fado que é vivo,
Na alma do fadista,
É fado vivo,
No palco de quem é artista…

Susana V

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vazia

Não sei se um dia saberei
Por que partiste
Não sei se um dia saberei
Por que fugiste

Nessa noite de tempestade
Sem um adeus
Sem bondade
Me deixaste

Naquela casa vazia
Vazia minh'alma
Chorou até ser dia

E dia após dia esperei
Dia após dia chorei
Dia após dia esperei

Sem saber o que te levou
Sem saber o que te mudou

Sem saber se quero saber
Sei que sou
Uma alma de lágrimas
Vazia

Marisa V

terça-feira, 30 de outubro de 2012

(A)venturas

Conheci-te por ventura
E ventura me trouxeste
Nesta aventura
Que foi estar contigo

A ventura nos separou
Guiando-nos para outras aventuras
Diferentes e distantes

É cada um por si,
Sempre foi cada um por si
Cada um com a sua ventura
Cada um na sua aventura

Se nos cruzamos por ventura
Na mesma aventura momentaneamente
E por ventura se nos voltarmos a cruzar
Será uma aventura diferente

Marisa V

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vida de poesias

Depois de dias adormecida
Vem fervorosa a imaginação
Depois de dias escondida
Num recanto do coração

De lápis e papel na mão
Me entrego a ela
Com a alma cheia de sentimento
Desfrutando deste momento
Que é ser a escrever
Que é escrever com a emoção
Do regresso de uma paixão

Minha poesia da vida
Numa vida de poesias
Que me correm nas veias
Aquecendo-me o corpo
Outrora adormecido, despertou
Dizendo-me quem sou

Marisa V

Vida ganha-se…

Dos dias que vivo,
Tiro fotografias,
Dos meses que vivo,
Crio memórias,
Dos anos que vivo,
Faço um filme,
O filme do que vivo…

Da vida que vivo,
Subtraio tristezas,
Multiplico alegrias,
Somo memórias,
Igualando a histórias,
As histórias do que vivo…

Filme eu faço,
História eu crio,
Vida eu ganho,
A cada fita enrolada,
A cada pagina virada...

Susana V